Saberes do ensino

Título: Saberes do ensino e diálogo com as tradições no campo da alfabetização escolar

Autora: Tamara Fresia Mantovani de Oliveira

978-85-80192-09-0

Peso: 566g

Categoria: Alfabetização / docência 

 

Sobre o livro:

 

 

O QUE É ALFABETIZAÇÃO?

Que pergunta mais esquisita, diriam algumas (muitas) pessoas! Veja se nesta fase dos séculos é para alguém perguntar isso!

No entanto, apesar da simplicidade de sua resposta imediata e comum – é o processo de aprender a ler e escrever – não parece tão simples quando nos dedicamos a uma pequena reflexão.

Alfabetizar significa ter o domínio e uso do alfabeto que conhecemos em vários idiomas quando se pensa principalmente na escrita. Menos frequente é a preocupação com a manifestação verbal, embora sejam usados os mesmos recursos, os do alfabeto.

O alfabeto, como o conhecemos com suas características diversas em vários países, inclusive o do Brasil, é o recurso que data, aproximadamente, do século V a.c. (MOORHOUSE, 1965, p.176) , um aspecto bem pouco divulgado , porém importante característica da vida humana. É por meio dele que, desde então, se faz a escrita da direita para a esquerda e, para as crianças, se inicia, efetivamente, a inclusão na vida social explícita, para além do gestual. A alfabetização verbal das crianças é a fundamental condição de sociabilidade das crianças, em todo o mundo! É a primeira manifestação das crianças, para além do choro e do sorriso, em sua humanidade ao aprender a falar, a usar o alfabeto!

É preciso atentar, portanto, que o processo de alfabetização começa muito antes do que tem sido focalizado.

Apesar disso, quando se chega à realidade das escolas, das populações e das estatísticas, verifica-se a enorme quantidade de adultos, crianças e jovens brasileiros com essa fundamental lacuna educacional e social da alfabetização escrita.

Foi sobre essa esfera das dificuldades da alfabetização das crianças que o estudo de Tamara mergulhou,principalmente preocupada com as crianças que adentram as escolas e as professoras as recebem para cuidar da alfabetização, na modalidade da escrita.

Desde o seu mestrado, Tamara já veio preocupada com questões do interior da escola, sobretudo focalizando o fracasso escolar, e continuou com a mesma perspectiva ao abrigo das pesquisas que o Programa de Estudos Pós-graduados em Educação: História, Política, Sociedade definiu sobre a escola como seu centro de atenção para as investigações, decidindo-se, nesta etapa ora divulgada, para uma das questões provocadoras do fracasso: a dificuldade da alfabetização escrita das crianças e professoras.

O foco do trabalho que aqui se apresenta, portanto, é dos mais relevantes da educação brasileira há décadas, com debates e embates teóricos e políticos em vários países e particularmente no Brasil.

Desde sua introdução, situa com clareza seu foco – os professores e sua formação –  acompanhada dos principais dados constantes da pesquisa e enorme referencial teórico específico que apoiou seus estudos enunciando o conteúdo do livro.

Seu capítulo inicial já demonstra a perspectiva inovadora do trabalho ao buscar situar a alfabetização escolar na dimensão cultural nem só local, nem só universal, mas necessariamente a ambas, posto que é na imersão cultural que as crianças aprendem a falar , como já apontado.

Evidentemente, essa perspectiva levou a busca da compreensão aprofundada da historicidade desse processo. Pautada em ampla bibliografia, retoma os séculos do aparecimento dos diferentes tipos de métodos que foram surgindo e ainda circulam por nossas escolas demonstrando a força da cultura.

Esse panorama permitiu bases para identificar questões sérias sobre o ensino da alfabetização escolar em relação aos conhecimentos manifestos pelas professoras, sem dúvida os principais protagonistas no desenrolar desse processo junto às crianças.

Esse passou a ser, portanto, o seu foco mais privilegiado neste estudo ora apresentado: os conhecimentos manifestos pelas professoras para o exercício de sua função na realidade das nossas escolas frente à tarefa de alfabetizar as crianças.

Para além dos aspectos anteriores, Tamara foi extremamente cuidadosa na elaboração e uso dos procedimentos da pesquisa, em todas as fases, outra das contribuições deste estudo que teve método, do início ao fim, e não apenas técnicas esparsas.

AQ partir de longa discussão sobre o conjunto enorme de dados, a autora defende a idéia de que as propostas para alfabetizar precisam ser construídas com os professores, a partir do que já elaboraram ao lado de outras contribuições teóricas possíveis, em diálogos variados.

Compreender a escola atual. Sem dúvida, passa Lea leitura e reflexão sobre este trabalho com a perspectiva acadêmica e real de que está imbuído.

Por isso não é tão fácil responder o que é a alfabetização escrita, tão criticada constantemente.

Portanto, não faltam estudos, mas faltam, sim, estudos como este feito pela autora, com um foco muito definido, muito central na área da educação: o domínio do conhecimento sobre o foco relativo ao processo de alfabetização explorado em diversas facetas permitindo profundo conhecimento sobre a realidade do mesmo. Um trabalho que depende de muita “garra” e que merece ser divulgado.

 

Alda Junqueira Marin

Araraquara, SP, 2019

 

Referência bibliográfica

MOORHOUSE, A.C. Historia del alfabeto. Fondo de Cultura Económica. México, 1965.

Saberes do ensino

R$ 50,00Preço

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